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A mobilidade ao longo da vida: Treino para uma maior mobilidade

 

Para melhor compreender a importância do trabalho de mobilidade, é fundamental considerar o impacto positivo que o mesmo pode desempenhar no dia-a-dia de indivíduos. Corpos concebidos para interagir com o ambiente através do movimento veem-se inseridos numa sociedade “desenhada” para promover o sedentarismo e a poupança de energia.

É relativamente normal para o cidadão comum ir de transportes ou de carro até ao trabalho, apanhar o elevador ou as escadas rolantes, trabalhar durante oito horas, sendo que destas, sete horas são passadas sentados, e regressar a casa para finalizar o dia. Dados do IAN-AF (2016) revelam que os portugueses passam em média nove horas por dia sentados, entre trabalho e lazer. Se multiplicarmos por cinco dias da semana, durante vinte anos, o produto final em termos de saúde física pode ser desastroso. Além da deterioração da saúde cardiovascular e metabólica e do aumento do risco de outras doenças crónicas, o declínio da mobilidade e da funcionalidade associada parece influenciar o ciclo vicioso que conduz ao sedentarismo.

Treino de mobilidade

O treino de mobilidade pode desempenhar um papel importantíssimo na recuperação da postura correta, permitindo estimular de forma simples e eficaz cada uma das articulações do nosso corpo. Em termos clínicos, pretende-se com este tipo de treino recuperar de forma eficaz e segura os graus de mobilidade de cada uma das articulações do nosso corpo através da simples mobilização em cada um dos planos de movimentos de todas as articulações.

Quatro pontos principais

A sessão de exercício de mobilidade poderá basear-se numa abordagem analítica por articulação (joint by joint approach) e num continuum de integração. Foca quatro pontos principais: os pés/tornozelos, pois são a base do nosso corpo durante toda a nossa vida; a anca, pois inclui uma das articulações mais importantes (coxofemoral); o toráx, que possibilita o posicionamento dos ombros e da cabeça; e os ombros, que em conjunto com a anca são os que com o passar do tempo perdem mais mobilidade devido a posturas desviadas para a frente.

Planos e amplitudes de movimento

A escolha de exercícios deve ser realizada de acordo com as caraterísticas do participante e dos graus de liberdade de cada articulação nos três planos de movimento. A tendência deste tipo de sessão é ir dificultando os movimentos, envolvendo mais articulações, de forma a estimular a conexão entre os diferentes grupos musculares e o sistema nervoso central. Deve respeitar as seguintes progressões: isolar, integrar e explorar. Isolar determinado movimento de forma a aprendê-lo, de seguida integrar com outros movimentos que também já tenham sido adquiridos e, por último, explorar novos planos e amplitudes de movimento. Estes exercícios devem incluir movimentos lentos e controlados, com posturas mais ou menos desafiantes, e os resultados começam a sentir-se logo nas primeiras semanas.

Embora esta metodologia de treino também possa ser praticada de forma autónoma, o acompanhamento por um profissional especializado é ideal na fase inicial ou sempre que sentir essa necessidade. Garantindo assim a segurança, a autonomia, a competência do praticante, enquanto aumenta a consciência corporal, melhora o movimento livre de dor, preservando a saúde mental e física.

A melhor maneira para preservar a sua mobilidade é simples – “mexendo-se”.

Texto: Artigo de Pedro Amaral, Fisiologista do Exercício Clínico da Beelife – Publicado em Impulso+ | Publico

Imagem: Unsplash

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