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Baixos níveis de literacia em saúde em Portugal

De acordo com um estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, 49% dos portugueses apresentam níveis limitados de literacia em saúde. Os grupos com menor conhecimento em saúde são, entre outros, os mais velhos, doentes crónicos e pessoas com baixos rendimentos. Face a esta realidade, e no âmbito do Dia Mundial da Literacia, que se celebrou no passado 8 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alerta para a possibilidade de o diagnóstico e a terapêutica estarem em risco.

Segundo a investigação, 38% da população portuguesa apresenta um nível “problemático” e 11% “inadequado” de literacia em saúde.

Entre os grupos com menor conhecimento em saúde estão os mais velhos e as pessoas com doença crónica ou prolongada e com baixos rendimentos e níveis escolares. Os grandes utilizadores dos serviços de saúde estão também incluídos, chegando os níveis de literacia a ultrapassar os 60%.

“Nada disto é surpreendente e apenas reforça a necessidade de haver um tratamento integrado do doente crónico complexo, com uma grande entreajuda entre a Medicina Interna no hospital e a Medicina Geral e Familiar no ambulatório. Estes doentes mais velhos têm de ser vistos com frequência, muitas vezes no domicílio, onde estão sós e com grandes dificuldades de mobilidade”, explica o presidente da SPMI, Dr. João Araújo Correia.

Conforme refere a SPMI, um problema associado a esta realidade é o facto de, muitas vezes, os conhecimentos serem adquiridos em locais inadequados, como é exemplo a internet. Assim é fundamental que a informação seja sempre validada pelo médico quando provém da opinião pública, até porque é sempre importante a especificidade de cada doente.

“Tomar o medicamento que fez bem ao vizinho e acreditar no diagnóstico do familiar conhecedor, foram sempre ‘travessuras’ dos doentes, muitas vezes não confessadas aos médicos”, destaca ainda o Dr. João Araújo Correia. Assim é muito importante que o especialista alerte para o perigo de se “colocar em causa o diagnóstico e a terapêutica”.

“A internet é como se fosse uma enorme vizinhança, cheia de opiniões e mitos, com pouca evidência científica”, o que para o presidente da SPMI pode “constituir um risco, caso o doente se julgue autónomo e suficientemente sabedor, considerando o médico dispensável”.

A importância da relação médico-doente

Uma das soluções passa pelo reforço da relação entre o médico e o doente, de forma a consolidar a posição dos profissionais de saúde como o meio privilegiado de obtenção de informação. Para o especialista, a resposta está no tempo que o médico deve conceder ao doente para este expor as suas dúvidas.

“Cabe ao médico corrigir as anomalias, dando tempo ao doente para expor tudo o que aprendeu na internet, explicando, como deverá ser a leitura correta da informação obtida”.

“Saber ouvir é essencial para a criação da empatia entre o médico e o doente, que gera a confiança e a abertura de espírito, para a obtenção dos melhores resultados em saúde”, conclui o Dr. João Araújo Correia.

Texto: Adaptado de News Pharma
Imagem: Unsplash

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