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Economia da Partilha: Casa? Carro? Está tudo no smartphone!

 

“Já não percebo nada deste mundo!” Foi assim que começou a minha longa conversa com um motorista da Uber num dia de chuva e trânsito, em Lisboa. O motorista continua o seu desabafo: “A minha filha fez agora 18 anos e decidi oferecer-lhe um carro. Sabe o que ela me respondeu? Que preferia um iPhone e que, assim, poderia chamar um Uber ou viajar e reservar casas no Airbnb.”

Esta história ilustra uma alteração de paradigma na aquisição e gestão de bens, na qual a economia da partilha desempenha um papel transformador. Tão transformador que a necessidade de propriedade é substituída pela necessidade de acesso.

Três tipos de projetos na área da mobilidade

A mobilidade é uma das áreas mais afetadas por esta transformação com o surgimento de 3 tipos de projetos: o ridesourcing (Uber, Cabify…) que consiste em aceder a um carro com motorista on-demand, o carsharing (Drive Now, CityDrive…) que consiste em aceder a um carro também on-demand e o ridesharing (Via Verde Boleias, Blablacar…) que é a partilha de lugares no carro.

Para todos estes projetos, a aplicação é o ponto central de acesso e os tarifários são em função da utilização. Um bom argumento para quem afirma que o seu carro só é utilizado em 3% dia.

Tirar a carta, comprar um carro e prever ainda uma verba para combustível, estacionamento, portagens, impostos, seguro, revisões… é uma experiência que alguns já não querem a viver e que é substituída por um serviço on-demand numa aplicação. Megan Quinn, ex-partner da KPCB, fez as contas e decidiu vender o seu carro e utilizar apenas Uber como meio de transporte, passando de um custo anual de 10 281 dólares para 4 655 dólares. Nalgumas cidades, o custo anual de ter um automóvel pode chegar aos 15 000 dólares, para além de todos os atritos de estacionamento e de tempo perdido. Razão pela qual Travis Kalanick, fundador da Uber dizia: “Aqui está a magia, se o custo do Uber estiver abaixo do custo de ter um carro particular, ninguém vai ter carros particulares.” (mais sobre a UBER)

Veículos elétricos e conectados

Por outro lado, os próprios automóveis estão em transformação com o crescimento dos carros elétricos. O grande empurrão foi dado pela Tesla, que está a obrigar toda a indústria automóvel a fazer uma viragem em prol de um meio ambiente sustentável e da redução da poluição nas grandes cidades. Para além de elétricos, os automóveis da Tesla são também conectados, ou seja, tal como os smartphone vão recebendo atualizações de software, permitindo melhorias técnicas ao longo do tempo e minimizando questões de segurança que ainda estão na ordem do dia. O simultaneamente polémico e apaixonante sistema autopilot (piloto automático) permite que o carro seja autoguiado (embora a legislação obrigue a colocar as mãos no volante). Dos 50 Estados Americanos, 29 já autorizaram a circulação de carros autoguiados. Elon Musk, o CEO da Tesla afirma que “todos os carros da Tesla terão o hardware necessário para ser totalmente autónomos e capazes de lidar com falhas operacionais” tal como o autopilot dos aviões.

A questão a conetividade também faz toda a diferença, não só na atualização de software do carro, como também no mapeamento da circulação, um ponto importante na gestão das smartcities. Equipados de sensores e câmaras, os Tesla partilham informação em tempo real que permite aprender sobre as estradas e melhorar a experiência. (Mais sobre a Tesla )

Novos modelos na área da habitação

Se nos automóveis, a passagem da propriedade ao acesso é um cenário que ganha forma, nas casas já é uma realidade. O Airbnb foi apenas o primeiro projeto a abalar a indústria hoteleira, atraindo a procura de casas para alugar e a oferta dos proprietários. Entrando na área da habitação, surge o modelo de co-living não só para jovens, mas também para expatriados ou viajantes que durante um período de tempo optam por casas partilhadas.

Existem 3 tipos de co-living: os em rede com a mesma experiência em diversos locais (como o We live ou o Common), os individuais com uma experiência local e única (como o Pure House ou o Open Door) e os retiros exóticos que são temáticos (como o Outsite que abriu recentemente em Lisboa).

Muitos dos projetos de co-living foram desenhados e construídos para garantir uma zona privada, integrando várias soluções como cozinha equipada, internet, ginásio eventos semanais. Os que integram uma rede permitem uma mobilidade entre casas através de um modelo de subscrição. É só abrir a aplicação e decidir onde ficar… É caso para dizer: Carro? Casa? Para quê?

Texto: Artigo Sandra Ribeiro – COO Fabernovel  – Publicado em Impulso+ | Público

Imagem: Drive Now

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