Loading...

Cidadania digital: como imaginar o futuro

Investir no desenvolvimento da nossa cidadania digital é um passo essencial para o nosso futuro. Podemos exercitá-lo já hoje com a realidade digital que nos rodeia, de modo a termos as competências necessárias num futuro que aí vem e que certamente será ainda mais digital.

É difícil, ou mesmo impossível, alguém conseguir imaginar um futuro sem as novas tecnologias, sem o digital, sem computadores ou smartphones, ou alguma versão ainda mais moderna destes devices que hoje fazem parte do nosso dia-a-dia.

Mas como é que estas novas tecnologias, as existentes e as que estão por inventar, vão impactar a nossa vida e o nosso bem-estar? E como é que nós, sabendo que isso vai acontecer, nos preparamos para tirar o melhor proveito e evitar problemas maiores que daí possam advir?

A primeira tentação poderia ser adivinhar como será o futuro, de modo a podermos preparar-nos melhor para ele. Porém, este tipo de exercício é pouco fértil, desgastante e surte muito pouco efeito. Hoje, olhando para trás, rapidamente vemos que poucas previsões futuristas se tornaram realidade e que surgiram acontecimentos que ninguém tinha antecipado.

Assim, gastar tempo e recursos para nos prepararmos para algo que não vai acontecer não é grande ideia.

Em alternativa, é essencial dar atenção ao que existe hoje à nossa volta e, desta forma, adquirirmos competências que vão ser, no futuro, imprescindíveis ao nosso bem-estar.

A cidadania digital aponta seis grandes áreas onde precisamos de nos envolver, para estarmos ágeis não só no futuro que se aproxima rapidamente, mas já neste presente que nos provoca e inquieta, principalmente na sua componente digital.

Equilíbrio de media e bem-estar: ganhar sensibilidade para seguirmos uma dieta equilibrada em termos de uso dos media, de modo a que eles estejam ao serviço do nosso bem-estar e não estarmos nós ao serviço dos media e das tecnologias.

Privacidade e segurança: é um ponto essencial, claro. Estarmos informados acerca de como o uso das novas tecnologias impacta, de forma positiva e negativa, a nossa segurança e também a nossa privacidade.

Pegada digital e identidade: reforçar a ideia de que o que fazemos online deixa um enorme rasto, que interessa muito a uma série de entidades que querem conhecer-nos o melhor possível.

Relações e comunicação: é evidente que a forma de comunicar está a sofrer uma enorme revolução, mas em que medida nos devemos adaptar às novas formas e linguagens e quais podemos rejeitar sem nos alhearmos de realidades que para nós são importantes?

Cyberbullying, drama digital e discurso de ódio: como lidar com tanta agressividade, falta de compreensão e impaciência que parecem multiplicar-se, principalmente no campo digital, onde as funcionalidades podem ser usadas para aproximar pessoas em vez de as afastar?

Literacia para os media: não é novidade que sempre houve quem quisesse influenciar a nossa opinião, muitas vezes com recurso a mentiras. Mas como se identificam essas ocasiões e onde e como se pode encontrar a verdade?

Investir no desenvolvimento da nossa cidadania digital é um passo essencial para o nosso futuro. Podemos exercitá-lo já hoje com a realidade digital que nos rodeia, de modo a termos as competências necessárias num futuro que aí vem e que certamente será ainda mais digital.

 

Texto:Marco Frazão – Cidadania Digital – Publicado em impusl+| Publico – Suplemento 04 de Outubro 2018

Imagem: Unsplash

Artigos recentes