Apresentado Estudo sobre o Voluntariado em Portugal
Estudo inédito levado a cabo pela Fundação Eugénio de Almeida revelou a imagem real e actual do Voluntariado em Portugal.
O estudo, encomendado pela Fundação Eugénio de Almeida e realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, com coordenação do Investigador Mauro Serapioni, teve a duração de ano e meio e faz uma análise às organizações envolvidas na promoção do voluntariado, e o levantamento das motivações, valores e expectativas dos voluntários, permitindo ter em conta o lado da procura e da oferta do trabalho voluntário. Este trabalho analisa ainda os agentes de promoção do voluntariado numa perspectiva de elaboração de propostas e recomendações estratégicas para a prática do voluntariado.
Pode-se constatar que, comparativamente com o resto da União Europeia em que 23 a 24% da população está envolvida em acções de voluntariado, Portugal apresenta números menos satisfatórios, com níveis de participação reduzida, que rondam os 12% da população, sendo que 36% do voluntariado nacional se centra nos serviços sociais. Esta baixa taxa de participação deve-se essencialmente ao facto do Estado ser entendido como o actor para a resolução dos problemas sociais e à regulamentação jurídica do voluntariado de 1998 que formaliza as práticas do solidariedade e exclui as práticas informais de voluntariado.
Contudo, e curiosamente, constatou-se que a população se sente motivada para a participação e mobilização para campanhas esporádicas (sendo exemplo disso a Campanha do Banco Alimentar deste fim-de-semana) e que existe um forte dinamismo de subsectores e incorporação em políticas de educação para a cidadania.
Maria do Céu Ramos, Secretária Geral da Fundação Eugénio de Almeida, explica em comunicado de imprensa que o “objectivo do estudo é o de culmatar a escassez de dados sobre o Voluntariado em Portugal, através da produção de informação rigorosa e sistematizada, que permita um conhecimento aprofundado desta realidade e que aponte os caminhos mais eficazes para a sua promoção e gestão”. Pretende ainda, continua, “fazer uma leitura da situação ao nível do enquadramento internacional, para formular propostas e recomendações sobre uma orientação estratégica coerente, eficaz e amplificadora na área do voluntariado em Portugal”.
Para além de investigadores e consultores estrangeiros na área da promoção do voluntariado, o estudo consultou ainda os Bancos de Voluntariado em território nacional, bem como outras entidades nacionais, instituições promotoras do voluntariado na área de influência de Évora e instituições públicas e privadas sem fins lucrativos no concelho de Évora.
Os resultados da investigação organizam-se em dois capítulos – diagnóstico e propostas e recomendações - onde se poderá consultar:
De acordo com a Secretária Geral da Fundação Eugénio de Almeida, o estudo vem “reforçar o trabalho que a Fundação Eugénio de Almeida tem vindo a promover na área de voluntariado, quer ao nível da formação contínua de voluntários, quer do Banco de Voluntariado dedicado à mediação da oferta e procura do voluntariado”. E acrescenta, “apesar do crescente interesse das instituições pela temática do voluntariado, existe ainda alguma debilidade na forma como programam as suas actidades e enquadram os voluntários, pelo que é fundamental, e é aqui se consagra a importância desta investigação, conhecer bem esta realidade, avaliando tanto o nível das percepções, como das práticas, para definir linhas de trabalho que, no seu conjunto, orientem e contribuam para replicar as boas práticas do voluntariado identificadas”.




