Babysitting low-cost para famílias sem apoio

Procurar trabalho já não é tarefa fácil, tentar fazê-lo sem ter quem ajude a tomar conta dos filhos pode ser muitas vezes impossível. Esta e outras tarefas, se não existir uma comunidade de apoio à família, tornam-se difíceis e acabam por ter um impacto devastador na vida de pais e filhos. Esta foi a razão que levou à criação da Associação Super Babysitters. Falámos com Francisco Neves da Associação para conhecer melhor o projeto.

 

Impulso Positivo (IP): Como e quando nasceu a Super Babysitters?

Francisco Neves (FN): A Super Babysitters nasceu em Dezembro de 2014, quando os jovens gestores portugueses, José Silva e Luís Fonseca, através das suas experiências profissionais e de voluntariado, se aperceberam da existência em Portugal de 200.000 famílias sem comunidade de apoio, como por exemplo, avós, e a passarem por dificuldades económicas muitas vezes por estarem a rejeitar propostas de emprego e oportunidades de formação por não terem com quem deixar os filhos. A Super Babysitters surge assim como forma de dar uma resposta sustentável e escalável a este problema.


IP: Como é que funciona?

FN: A Super Babysitters é uma Associação que liga famílias a passar por dificuldades económicas e sem comunidade de apoio a voluntárias que têm um carinho especial por crianças e motivação para apoiar estas famílias. Muitas das necessidades das famílias são-nos indicadas por parceiros, no entanto, qualquer família pode entrar em contacto connosco por telefone ou preenchendo o formulário no nosso site. Enviamos depois o pedido para as voluntárias já formadas - para além de haver uma sessão de treino obrigatória é também entregue o registo criminal e uma carta de recomendação - e mediamos o primeiro encontro entre as duas partes. Caso desejem manter a ligação a Associação facilita o contacto e passa a fazer um acompanhamento à distância a cada caso estando a par de novas necessidades que possam surgir. O babysitting tem um custo de dois euros por hora que reverte a 100% para a Associação de forma a garantir a sustentabilidade do projeto e a passar a mensagem às famílias de que também contribuem para que este apoio chegue a outras mães e pais. 

IP: Onde atuam e como preveem crescer?

FN: Atuamos em Lisboa e Setúbal. O modelo de crescimento está assente na iniciativa de Super Empreendedores, ou seja, voluntários com muita motivação, resiliência e autonomia que conseguem juntar uma equipa e lançar o projeto na sua localidade com o apoio da Associação.

IP: A quantos beneficiários já chegaram e quais os principais motivos que os levam a recorrer à Associação?

FN: Já apoiámos 33 famílias sendo o principal motivo a necessidade de aceitarem propostas de emprego. Frequentemente as ofertas a quem tem um baixo índice de empregabilidade preveem salários muito baixos e são precisamente as que têm horários noturnos, gerando um ciclo vicioso do qual é muito difícil alguém com filhos e sem uma comunidade de apoio sair. Um caso típico é o de um pai ou mãe solteiro, imigrante, que trabalha até às 21 ou 22 horas e não tem quem vá buscar o filho à creche levando-o até casa.

 

IP: Com quantos voluntários contam? Os voluntários normalmente fazem este trabalho pontualmente ou a médio/longo prazo?

FN: Neste momento, temos 106 voluntários. Por norma os pedidos são para apoios regulares pelo que se pede um compromisso de médio prazo às Super Babysitters para que a criança e os pais tenham o máximo de estabilidade e previsibilidade possível.


IP: Qual o feedback dos voluntários? E dos beneficiários?

FN: O feedback das Super Babysitters tem sido muito positivo estando a sentir a importância do seu tempo para as mães, pais e crianças que ficam agora mais descansados, o que acaba por gerar um melhor ambiente entre a própria família. Em relação aos beneficiários, até ao momento, todos estão muito satisfeitos com o serviço principalmente devido ao mérito das Super Babysitters que são verdadeiramente “Super” olhando pelas crianças e pelas famílias de uma forma especial.