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Quando o lazer se torna ocupação – Cozinha na 55mais


Atividade é o tempero da vida – que o diga Teresa Malta que sempre gostou de cozinhar e encontrou o seu equilibrio na cozinha da 55mais

 

 

A atividade é importante em qualquer idade e Teresa Malta, uma cidadã brasileira, mas que já está em Portugal há 28 anos, é um exemplo disso. Quando chegou ao nosso país, foi viver para Coimbra e aí ficou até há pouco tempo. Na cidade do Mondego teve uma carreira profissional no Instituto Pedro Nunes, da Universidade de Coimbra, e, mais tarde, foi gerente de um restaurante. Nos tempos livres, foi sempre apaixonada por cozinhar.

A grande mudança chegou há cerca de dois anos. Após o falecimento da mãe, trocou Coimbra pela zona de Lisboa, para ficar mais próxima de duas filhas, que vivem na Margem Sul.

Prestes a completar 63 anos, hoje integra o projeto 55+, iniciativa em que pessoas com mais de 55 anos fazem atividades que gostam e obtêm um rendimento adicional.

Existem atualmente 2,5 milhões de pessoas inativas com mais de 55 anos em Portugal. Este projeto, que tem Elena Duran como mentora, nasceu para proporcionar a muitas dessas pessoas uma vida ativa através da prestação de serviços em alguns bairros de Lisboa. “Quem oferece, garante uma vida mais saudável, ativa e integrada na comunidade, com uma remuneração extra”, refere a 55+.

A ocupação de Teresa Malta nos primeiros tempos na capital era quase somente ajudar uma das filhas, “que é enfermeira e tem horários difíceis”, a cuidar da neta. “Isso preencheu-me muito”.

A verdade, porém, é que sempre gostou de ter atividade e, como adora cozinhar, a oportunidade surgiria em breve. “Uma amiga da minha filha mais nova que se interessa muito por solidariedade social falou-nos no 55+. Fiquei rendida ao projeto, porque fui fazer um teste de culinária na casa da Elena e quando lidamos com pessoas que nos tratam tão bem, estamos logo mais recetivas a participar. O teste, em que, basicamente, fiz o jantar, correu muito bem”, conta.

A mudança na vida de Teresa Malta “foi muito positiva”. “Por mais que se complete o dia a dia, e eu leio bastante e vou muito ao cinema, parece que falta alguma coisa. É o ‘bichinho’ da atividade. Entrar na 55mais e confortou-me. Porque é uma responsabilidade que se tem, porque nos comprometemos com pessoas que, mais do que pagarem pelo serviço, estão a contar connosco”, explica.

Há desafios diferentes a cada serviço. “Em dezembro, tivemos um almoço para 17 pessoas. Fui fazer as compras e, quando me preparava para começar a cozinhar, fui informada de que duas das pessoas eram vegan. Isso obrigou-me a ser criativa. Na cozinha é preciso improvisar”, nota.

A atividade é algo positivo e os 50+ têm qualidades que quando se é mais jovem não se encontra. “A sensibilidade para verem o mundo e verem o outro de uma forma menos limitada. Creio que a idade abre mais a mente, até porque já temos uma experiência grande e que pode dar muito à sociedade”, defende Teresa Malta.

Texto: Aquiles Pinto em Impulso+ no Jornal Publico

Imagem: 55+

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