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E depois da Reforma? Continuar a vida ativa

Depois da Reforma, há quem se mantenha ligado ao Mercado de trabalho, mesmo depois de muitos anos de trabalho. Esta é claramente uma tendência não só por questões de necessidade material mas muito por necessidade de nos mantermos ocupados. Manter um ritmo diário (mesmo que menor), ajuda a sentirmo-nos uteis e produtivos e com um propósito.

 

 

Seja por necessidade de rendimento adicional ou apenas por querer manter-se ativo, há realmente muitas pessoas que continuam a trabalhar mesmo depois de terem-se reformado. Apesar do envelhecimento da população, o mercado ainda tem bastantes preconceitos com os profissionais mais velhos, admitem os especialistas em recursos humanos. Mas para que possam realmente manter-se no mercado de trabalho é preciso demonstrar constante atualização, energia, abertura para novas ideias e uma extensa rede de relacionamentos, dizem os especialistas.

— Um dos grandes desafios do profissionais acima dos 50 anos é mostrar que conseguem relacionar-se com pessoas mais novas, têm abertura para novas ideias e conseguem estar sempre atualizado. A experiência mostra que muitos desses profissionais têm muito mais energia que alguns mais novos. O maior valor agregado deste grupo de profissionais, está principalmente na maturidade, na experiência, na maior capacidade de lidar com a pressão.

Uma coisa é certa, a formação deve ser um processo continuado ao longo da vida de trabalho e não apenas uma fase de vida como era antigamente. Isto não implica um novo curso universitário mas sim formações em áreas complementares ou que acrescentem novos conhecimentos e capacidades aos já adquiridos para que as pessoas se mantenham atualizadas.

Mais capacidade

Para além do preconceito ainda existente no mercado de trabalho, o médico e professor convidado da Fundação Dom Cabral Frederico Porto (Brasil) afirma que os mais velhos têm o que ele chama de “complexidade cognitiva”, ou seja, mais capacidade para processar questões, o que pode ser um ativo importante como profissional:

— As pessoas com 50, 60 anos têm mais complexidade cognitiva. É alguém que, mesmo em assuntos que não domina, pode observar, raciocinar e encontrar pontos em falta. É um profissional mais apto a desenvolver processos do que alguém mais jovem. O importante é conseguir manter a saúde e administrar a energia pessoal com essa maior complexidade cognitiva.

Novas atividades

Nos últimos tempos, a realidade dos cortes da reforma é cada vez mais uma preocupação. Assim, são normais os cortes de pensões e das reformas para compensar perdas das contribuições ou dos resultados. Mas cuidado, pois nem todo hobby pode tornar-se numa profissão:

— Cada um precisa descobrir o que gosta de fazer, suas paixões, mas também seus talentos, ou seja, o que sabe fazer bem. Nesse processo, precisa avaliar qual é a necessidade do mundo à sua volta, e portanto como pode oferecer seus talentos. Um engenheiro, por exemplo, pode atuar como consultor financeiro.

Especialistas em recursos humanos sugerem uma autoavaliação para quem está em busca de identificar novas habilidades e uma nova atividade profissional. Uma das primeiras sugestões é conversar com antigos colegas de trabalho para avaliar pontos positivos e negativos. Ao identificar as qualificações, é preciso perceber o perfil do trabalhador, refletir se é preciso desenvolver novos conhecimentos e estabelecer um plano de ação, com cursos e projetos.

Um ser humano que vai viver cem anos terá ao menos três carreiras ao longo da vida. Este é o caminho do futuro. É um processo de descoberta, leva tempo e não tem receita certa e pronta.

Novos contratos

A ideia é um contrato em tempo parcial de trabalho para quem já é reformado, com horários mais flexíveis e prazo determinado, com direito a férias.

A diferença é a flexibilidade que dá ao trabalhador e às empresas. É uma proposta inclusiva, que dá incentivos para as empresas contratarem e o trabalhador manter-se ativo. O que permite gerar mais renda e manter-se a mais ativo e saudável.

Outros países já tem regimes semelhantes, como os Estados Unidos — explica Henrique Noya, diretor-executivo do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

Para evitar o risco da substituição de trabalhadores mais novos por esses reformados ou em idade de reforma, o projeto poderá limitar esses contratos a uma pequena percentagem da força de trabalho de uma empresa, como já acontece em alguns países.

 

Assim poderemos manter pessoas ativas e com grande capacidade, a envelhecer de forma ativa e positiva, escolhendo o caminho e o que mais os realiza, em termos de vida futura. Mantendo as opções em aberto!

Texto: Adaptado de http://www.50emais.com.br
Imagem: Unsplash | Brooke-Lark

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