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Quando o lazer se torna ocupação – Enoturismo rural


Foi jornalista da RTP entre 1975 e 2004 e professor universitário de jornalismo, mas a “cacha” da carreira estava em Vila de Frades, no Alentejo, onde Pedro Luiz de Castro explora, hoje como atividade principal, a Quinta das Ratoeiras, um enoturismo rural.

. “Foi por alturas do ano 2000 que, ainda jornalista na RTP e com 40 e poucos anos soube que no Alentejo muitas pequenas propriedades estavam a ser adquiridas por estrangeiros, originários sobretudo do norte da Europa. Numa viagem profissional à Vidigueira, apercebi-me que neste concelho alentejano impera o minifúndio, a exemplo do Douro, de onde sou natural”, começa por contar.

O agora gestor apaixonou-se “de imediato” por uma pequena propriedade de seis hectares que tinha um conjunto de particularidades. “Estava completamente abandonada, o que me permitia desenvolver um projeto de acordo com o meu gosto e recursos. Tinha algumas construções em total ruína, o que me dava a possibilidade de proceder rapidamente às reconstruções. E tinha poços e sobretudo nascentes de água, uma riqueza no Alentejo, fundamental para o desenvolvimento de projetos agrícolas”, refere Pedro Luiz de Castro.

O projeto global para a Quinta das Ratoeiras tinha várias fases definidas. “Se aqui me apaixonei pela maneira de fazer vinho de talha, ou seja à moda dos romanos, rapidamente fiz desse facto um chamariz para os que aqui queriam ver e participar nessa aventura única. Claro que era mais conveniente receber as muitas pessoas que queriam descobrir o vinho de talha com um pequeno enoturismo rural, que foi construído mesmo ao lado das ruínas de São Cucufate, as maiores ruínas romanas existentes em Portugal, que datam do século I e poucas pessoas conhecem”, explica.

O ex-jornalista não podia estar mais satisfeito com a mudança de vida. “A mudança, primeiro parcial e agora praticamente total para o Alentejo, foi algo que me deu uma qualidade de vida que definitivamente não se tem nas grandes cidades”, ressalta.

O roteiro futuro da Quinta das Ratoeiras passa pela continuação na aposta no vinho de talha e, por arrastamento, no enoturismo rural. “É na nossa freguesia, Vila de Frades, que existe há mais de 20 anos a Vitifrades, o único certame dedicado ao vinho de talha em Portugal. Por outro lado, o concelho de Vidigueira lidera o movimento para que o vinho de talha seja considerado pela UNESCO património mundial da humanidade. Ou seja estou totalmente ligado a esta região e a esta forma de fazer vinho, pois na Quinta das Ratoeiras já conquistámos duas medalhas de ouro e outras de prata e bronze atribuídas na Vitifrades”, aponta

Pedro Luiz de Castro pretende ainda “ajudar a dar visibilidade a este concelho, que tem tanta coisa ainda pouco conhecida, como o facto de Vasco da Gama ser conde da Vidigueira e de se poder visitar o local que escolheu para ser aqui sepultado”.

Sobre a mudança e a idade, o entrevistado refere que “há a visão distorcida” de que por altura dos 50 anos já pouco ou nada se pode começar. “É um completo disparate”, diz porque é nesta altura da vida “que se tem a sabedoria da meia- idade”.

Texto: Aquiles Pinto em Impulso+ no Jornal Publico

Imagem: Pedro Luiz de Castro

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