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Quando o lazer se torna ocupação – Equilíbrio no yoga


Deixamos aqui o caso de Leonor Castilho  que deixou a profissão que teve durante anos, e que hoje tem como ocupação principal a paixão das horas vagas de outros tempos, orientando-se para o yoga como fonte de equilirio. Como disse Mark Twain, “o segredo do sucesso é fazer da sua vocação a sua distração”.

 

 

 

Leonor Castilho foi, durante 33 anos, assistente de várias administrações e direções entre associações setoriais e o setor financeiro, mais recentemente.

“Era algo que na altura me preenchia enquanto profissional, mas a verdade é que, paralelamente e na minha vida pessoal, sempre fui tendo outros interesses. No meu caso, desde jovem adulta achava o mundo do yoga fascinante, pelo que comecei a investir mais do meu tempo livre nessa atividade. Tanto que, já nos meus 40 anos, voltei para a universidade tirar o curso de Filosofia. Mais tarde, fiz uma formação em yoga, em Madrid, que me abriu as portas para ser professora, durante muitos anos conciliando com a minha atividade profissional”, conta.

Foi, assim, que abriu, em 2002, o Centro de Iyengar Yoga do Porto. Até 2014 conciliou as aulas com a profissão, altura em que se reformou e abraçou o yoga de corpo inteiro. “Mais do que uma atividade, é uma paixão”, garante, depois de ter afirmado que, “olhando para trás, a mudança não podia ter sido mais positiva”.

“Hoje faço o que realmente gosto”. Leonor Castilho considera que passamos demasiado tempo a queixar-nos e a não darmos valor às pequenas coisas que já conquistamos. O seu projeto futuro é, por isso, “apreciar cada vez mais essas pequenas coisas”.

O conselho que a professora de yoga dá a outras pessoas é que encontrem algo que as preencha. “Porque a partir de certa idade não faz sentido ceder o nosso precioso tempo em algo que não tenha valor e a ver connosco”, afirma.

Uma coisa é certa, as pessoas devem valorizar-se, até porque há muitos aspetos em que mais idade é sinónimo de melhoria. “Muda a nossa perceção sobre a vida e sobre os outros. Habituamo-nos a distinguir rápida e claramente o que é importante, e merece ou exige a nossa atenção, daquilo que não é importante. Ficamos tolerantes connosco e com o próximo”, explica Leonor Castilho.

A nossa fonte refere, aliás, que, em termos profissionais, a incomoda o facto de não ser apreciada a experiência acumulada dos recursos humanos com mais de 50 anos. “[São] uma mais-valia para qualquer organização”, aponta.

Claro que para que possamos ter um bom envelhecimento importa que se mantenha ativa em termos físicos, mentais e sociais. “Como é óbvio”, o seu conselho é que façam yoga. “Porque trabalha tudo: corpo, respiração, mente e espírito. Importante é que encontrem algo que fisicamente os desafie e que intelectualmente os estimule e lhes aporte alegria. Que é tudo o que o yoga me dá”, conta a professora.

De olhos postos no futuro, a entrevistada volta a ancorar-se na sua paixão. “A vantagem do yoga é que somos impelidos a estar em constante aprendizagem. De uma coisa tenho a certeza: nunca estagnarei, pois estou em permanente formação para, desta forma, ajudar cada vez mais e melhor os meus alunos. Até porque na linha de yoga que sigo, Iyengar Yoga, a componente terapêutica é muito grande e por isso uma enorme responsabilidade”, salienta Leonor Castilho.

Texto: Aquiles Pinto em Impulso+ no Jornal Publico

Imagem: Leonor Castilho

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