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A “ciência” de fazer um seguro após os 55 anos

Escolher um seguro de saúde não é uma tarefa propriamente fácil, sobretudo à medida que a idade avança. Os preços variam consoante o tipo de cobertura que escolhemos, pelo que o importante é, antes de mais, pensar nas necessidades individuais, recursos e historial médico.

Qual é o melhor seguro de saúde para uma pessoa com mais de 50 anos? A pergunta pode parecer fácil, mas a resposta claramente não é. De todo. A oferta hoje disponível no mercado dos seguros de saúde é imensa e com muitas variáveis que influenciam diretamente o preço final. Depende da cobertura que escolhemos, das modalidades de reembolso, se há mais membros da família associados ao seguro, o período de carência… enfim, toda uma ciência.

Mas para termos uma ideia, vamos dar uma “voltinha” pelo mercado. A rede de prestadores é basicamente composta por três sistemas, ou três sociedades gestoras de serviços de saúde: Advancecare, Médis e Multicare, seguida por uma “legião” de seguradoras e parceiros que se agregam a estes sistemas.

Regra geral, existem dois tipos básicos de cobertura: a de ambulatório e a de hospitalização. Na primeira, a de ambulatório, o seguro cobre as despesas relacionadas com consultas de clínica geral ou de especialidade, tratamentos e exames auxiliares de diagnóstico e até pequenas cirurgias que não requerem internamento. Já na hospitalização, estão incluídas as despesas relativas a operação, aluguer de quarto no hospital, diária hospitalar, médicos, enfermeiras, anestesistas, testes e exames.

Os seguros Vintage

Fizemos uma simulação no sistema Médis, usando um perfil de uma pessoa de 50 anos, sem qualquer elemento agregado, tendo como base a cobertura de hospitalização (15 mil euros) e ambulatório (mil euros). O preço mensal pela adesão foi de 54,08 euros. Mas à medida que a idade avança, os seguros vão-se adaptando. No caso da Médis, por exemplo, os denominados seguros Vintage têm já um modelo de assistência ao domicílio com serviços de fisioterapia e enfermagem, alimentação, limpeza e higiene pessoal, só para dar alguns exemplos. Na sua versão Plus, que inclui uma cláusula de “doenças graves” com cobertura até um milhão de euros, uma simulação para uma pessoa com 60 anos deu-nos 47,58 euros mensais, com uma hospitalização de cinco mil euros e uma assistência ambulatória de 250 euros.

A Multicare apresentou-nos, na simulação de uma pessoa de 50 anos um seguro com internamento com cobertura até 50 mil euros e ambulatório de mil euros, o valor mensal de 63,18 euros, um pouco superior ao da Médis mas também com maior cobertura de hospitalização. Se aumentarmos a idade para os 60 anos e colocarmos a opção de doenças graves, igualmente com uma cobertura de um milhão de euros, então aí o preço é de 52,77 euros, apesar de no caso da Multicare a cobertura ser de 25 mil euros de hospitalização, mas não ter nenhum serviço especificamente dedicado aos mais seniores.

Dando uma “voltinha” pelos serviços da Advancecare, um perfil de uma pessoa de 50 anos e com cobertura de hospitalização de 15 mil euros e ambulatório de mil euros, o preço é de 42,94 euros por mês. Uma década mais tarde, e com essas mesmas especificidades, esse valor sobe para os 59,19 euros por mês.

Seguradoras adaptam serviços

Claro que, depois, as seguradoras vão adaptando os serviços. A Fidelidade, por exemplo, tem disponível o plano +55 que, como o nome indica, é para clientes com idade superior a 55 anos e que inclui desde consultas de check-up a uma segunda opinião médica.

Também a Lusitânia Seguros apresenta um “pacote” sénior que inclui igualmente uma segunda opinião médica, uma linha de emergência e assistência domiciliária. A Allianz tem o seu 55 Mais, especificamente com uma vertente de assistência sénior que garante um conjunto de serviços como o envio de médico ao domicílio, transporte para consultas ou tratamentos em ambulância, cuidados de enfermagem ou medicamentos ao domicílio. Isto é apenas uma pequena parte do que existe no mercado, pelo que não é por falta de opção que não “seguramos” a nossa saúde.

Resumo

Dizer, definitivamente, qual o melhor seguro de saúde para uma pessoa com mais de 55 anos é complicado e sobretudo pouco preciso, já que vai depender muito do “historial” médico de cada um – às vezes não compensa de todo ir para seguros com demasiadas coberturas, apesar da idade – e de quanto estamos a pensar investir no seguro. Isto porque há seguros que, independentemente da idade do segurado, têm todo – e mais algum – tipo de coberturas. Mas uma coisa podemos facilmente afirmar. Hoje, mesmo a partir dos 65 anos, é possível fazer um complemento ao Sistema Nacional de Saúde sem ter de despender toda uma reforma para o pagar. A um preço razoável, as seguradoras formam-se adaptando ao facto de, hoje, a esperança de vida ter aumentado, tal como a nossa perceção da sua qualidade.

As modalidades de reembolso

Basicamente, são três os sistemas de reembolso existentes nos seguros de saúde.

O primeiro é o sistema de reembolso no qual a seguradora comparticipa as despesas tendo em conta as percentagens de comparticipação, o capital disponível para cada cobertura, o valor da franquia, assim como os prazos para requerer e receber o reembolso.

O segundo caso é o sistema de rede convencionada ou de assistência. O cliente do seguro recorre a uma rede de cuidados médicos previamente estabelecida de entre uma lista de médicos ou hospitais. Neste caso, a seguradora paga parte das despesas de saúde até ao limite de capital contratado.

Já o sistema misto é “classicamente” o mais dispendioso. Neste caso, o cliente escolhe onde quer ser atendido ou opta pelos cuidados médicos da rede convencionada.

Texto: Susana Marvão – Publicado no Suplemento Impulso+ | Publico
Imagem: iStock

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