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Montepio – Reforma e poupança – 174 Anos a olhar para o futuro

Hoje em dia a reforma é encarada como uma nova fase para aproveitar a vida, contribuir para a sociedade, conhecer o mundo, apreciar a cultura, estudar e viver a família. Só será possível com um planeamento da reforma consciente e consistente. Entrevista a Fernando Amaro director da área de economia social da Caixa Economica Montepio Geral.

Com mais de 170 anos, foram muitos os desafios e os projetos desenvolvidos pela Caixa Económica Montepio Geral. Como avalia o caminho percorrido até aqui?

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) nasceu há 174 anos e conta com uma história longa de proximidade junto dos portugueses. É um banco que se orgulha da génese mutualista e da ligação à economia social, tendo sido capaz de inovar, de se adaptar, de se reinventar e de olhar para o futuro, mantendo os valores de sempre.

Inicialmente focada nas famílias, através do incentivo à poupança e na previdência, como forma de garantir um futuro digno, mais tarde, a instituição reforça o seu papel no apoio ao crédito habitação, numa altura em que poucas eram as instituições autorizadas para tal. A oferta de soluções de poupança para as mais variadas fases da vida dos seus clientes reforçou desde sempre o constante empenho numa gestão eficiente dos recursos que cada cliente confiava ao banco.

Fomos o primeiro banco a disponibilizar uma rede própria de Caixas Automáticos, a Chave 24 e um dos primeiros bancos a disponibilizar o serviço de homebanking, garantindo proximidade e autonomia.

Com o desenvolvimento da economia e da sociedade, o banco foi acompanhando as empresas nacionais, principalmente as PME e as microempresas, que compõem maioritariamente o tecido empresarial em Portugal, e foi afirmando o seu papel no setor da economia social. Apoiamos o empreendedorismo e, muito em particular, ideias inovadoras para “velhos” problemas sociais, sendo hoje um ecossistema relevante e de olhos no futuro, que procura resolver desafios sociais de forma disruptiva e com recurso à tecnologia e ao que esta tem de melhor para o mundo atual.

Somos um banco português independente, cada vez mais perto dos portugueses: famílias, empresas e instituições da economia social, onde quer que estejam.

O nosso tema de capa é “Como obter rendimento e ocupação”. Começava por uma afirmação: “Portugal continua a ser um dos países com menores índices de poupança da OCDE.” Concorda?

Portugal e os portugueses têm vindo a lutar com um conjunto de constrangimentos que contribuem para baixos índices de poupança. Um passado com uma taxa de analfabetismo elevada, o abandono escolar precoce com uma força de trabalho pouco qualificada e com baixos rendimentos. Portugal possui a distribuição de rendimentos mais desigual da Europa e a crise económica recente contribuiu grandemente para o aumento do desemprego, da desigualdade e da pobreza.

Este ambiente em nada favorece a poupança, mas ainda assim é preciso alertar a população para a necessidade de poupar. A educação financeira, a consciência de que com pouco se faz muito, a capacidade de planear uma poupança (se todos os meses colocarmos de parte 10% dos rendimentos, no final do ano a poupança terá crescido), têm sido alvo da atenção da CEMG através de projetos de educação financeira (como o portal Ei – Educação e Informação da Associação Mutualista Montepio), ou uma oferta de soluções de poupança ajustadas a qualquer “carteira” ou até a mais recente novidade – o Mealheiro Digital, uma nova forma de poupar, simples e flexível. Preocupamo-nos ainda com o desenvolvimento de soluções que permitam aos nossos clientes obter mais vantagens, a custos reduzidos, como é exemplo a Solução 15 em 1 | Serviço Máximo – 15 vantagens numa só Conta.

Acreditamos que os índices de poupança vão aumentar, acompanhando o crescimento económico, e esta é a razão por que procuramos soluções de poupança diferenciadas e atrativas que possam servir os vários tipos de clientes e as suas necessidades.

Com o envelhecimento da população, poder-se-á tornar insustentável manter o atual sistema das reformas. Que conselhos dá às pessoas ainda no ativo, para se prepararem para os desafios da reforma, neste clima de incerteza?

É necessário ter a consciência de que nenhum de nós idealiza uma reforma igual à dos nossos avós, ou até dos nossos pais. Hoje em dia a reforma é encarada como uma nova fase para aproveitar a vida, contribuir para a sociedade, conhecer o mundo, apreciar a cultura, estudar e viver a família. Só será possível com um planeamento da reforma consciente e consistente.

É preciso poupar, de forma a anular eventuais perdas de rendimento, fazer face a imprevistos e a incertezas como o futuro da Segurança Social, e de forma a assegurar a possibilidade de concretizar tudo o que se pretende, com qualidade e dignidade. Poupar sem grande esforço só é possível se o fizermos ao longo da vida, por isso planear a reforma na vida ativa é essencial. Existem várias soluções, desde Planos de Poupança Reforma, Depósitos a Prazo, Fundos de Investimento (para os mais ousados), Seguros de Capitalização, ou os produtos de poupança e proteção.

Na vossa ótica, a experiência e conhecimento dos investidores são um fator determinante para o acesso aos vários produtos financeiros? E a capacidade financeira?

A escolaridade e a qualificação são essenciais para uma vida financeira informada e orientada a cada fase, desafio ou objetivo. Mas o mais relevante é ter consciência do perfil de investidor de cada um. São vários os produtos financeiros disponíveis e conhecer cada um, os seus objetivos e o perfil de risco é essencial para saber em consciência onde aplicar os rendimentos e as poupanças. Conhecer os produtos é a chave para uma vida financeira informada, ler e compreender todas as condições, conhecer as implicações e questionar para dissipar qualquer dúvida são condições essenciais para investir da melhor forma.

A literacia financeira tem sido uma aposta, através de programas de educação financeira, com especial enfoque nos mais novos (a Dona Poupança, da Fundação Montepio é exemplo), mas também através da adequação de uma oferta ajustada a várias fases da vida e a várias necessidades (depósitos a curto, médio ou longo prazo, com entregas livres ou programadas, fundos de investimento, diferentes tipos de fundos de pensões…).

A capacidade financeira não é determinante para aceder aos vários produtos, mas sim o perfil de risco/investidor de cada um. É fundamental a adequação de cada produto ao conhecimento, perfil e objetivo de cada cliente.

Idealmente, com que idade deveríamos começar a preocupar-nos com a nossa reforma?

Quanto mais cedo, melhor. A idade ideal acaba sempre por depender da disponibilidade financeira de cada um. Há pessoas para quem o ato de poupar é uma forma de estar na vida, há outras que poupam porque desde sempre viveram num ambiente familiar onde a poupança era “obrigatória” e outras ainda que têm de experienciar um determinado momento que serve como gatilho para a poupança (por exemplo, o nascimento de um filho).

Acima de tudo é preciso ter consciência de que na sociedade atual, aos 50 e aos 60 anos somos “jovens” e queremos viver de forma digna, dinâmica, confiante e satisfatória. E isto só será possível com rendimentos e poupança arrecadada. A esperança de vida tem vindo a aumentar (estudos recentes indicam que a esperança média de vida dos portugueses vai aumentar dez anos até 2080), a evolução da medicina e da tecnologia aplicada à saúde, bem como dos cuidados médicos, permite a longevidade (os entendidos estimam que o ser humano possa viver, naturalmente, até aos 115 anos). Logo, uma reforma “à antiga” não nos servirá, porque a evolução, os estímulos, a tecnologia, os desafios e as vontades serão outros.

Quais as soluções mais procuradas?

Os clientes mais jovens, cujas decisões de poupança são assumidas pelos pais, apostam essencialmente em produtos de poupança como depósitos a longo prazo e fundos de pensões com entregas mensais, uma vez que a preocupação é poupar para o futuro, em segurança.

Para jovens adultos e adultos em vida ativa, com alguma tolerância ao risco, os vários fundos de investimento (em ações, obrigações ou fundos de fundos) podem ser uma solução para rentabilidades mais elevadas, ou até, para os mais informados e conscientes, o investimento em instrumentos financeiros de risco pode ser uma opção interessante, desde que com consciência e informação.

Para os “jovens de 50 anos”, os seguros de capitalização são bastante procurados, assim como os fundos de pensões que aliam os benefícios fiscais a uma valorização contínua e a uma gestão especializada da Futuro.

A habitação própria é sem dúvida uma forma de poupança. No caso de Portugal somos, na sua maioria, proprietários. Não é esta também, uma boa forma de poupança?

Sim, Portugal, ao contrário de outros países da Europa, conta com um historial de aquisição de habitação própria permanente, ao invés do arrendamento. Tem muito que ver com um processo cultural e com o melhoramento das condições de vida nos anos 1980 e 90. A compra de casa é muitas vezes entendida como uma “forma de poupança”, dado que:

– quando adquirida na idade jovem, com recurso a financiamento bancário, é expectável que depois na idade da reforma o mesmo já esteja totalmente liquidado, ou seja, passa a existir uma maior disponibilidade financeira;

– se adquirida sem recurso a financiamento é sempre um bem de valor e de património pessoal;

– quando considerada como património que passa de pais para filhos, acaba por ser uma forma de poupança para o futuro dos filhos.

Estamos constantemente a ser desafiados nos nossos negócios e na nossa relação com os clientes. Quais serão na sua opinião os grandes desafios da banca para os próximos tempos?

São vários os desafios que a banca vai atravessar no futuro. A era digital e a tecnologia constituem-se como oportunidades no que respeita à eficiência e eficácia, bem como à adequação da oferta a cada cliente, de forma personalizada e que vai ao encontro das necessidades de cada um. O acesso a serviços financeiros através de dispositivos como um portátil ou um smartphone levam a que as redes de balcões e de agências se posicionem acima de tudo como o garante da relação de confiança e, em alguns casos, de proximidade.

A PSD 2, a nova diretiva dos serviços de pagamento, vem aumentar a concorrência entre os agentes de mercado, com os bancos a serem obrigados a partilhar os dados pessoais dos seus clientes que assim o permitam, às fintech, por exemplo, e a inteligência artificial também será uma realidade na banca de futuro, com o desenvolvimento de ferramentas como chatbots, que trazem rapidez, eficiência e inovação.

O desenvolvimento e a aposta no talento humano serão essenciais para a banca de futuro que começa a desenhar-se no sentido da assistência e total acompanhamento, antes, durante e depois da transação financeira. A oferta de produtos e serviços personalizados é disponibilizada com base nos comportamentos de cada cliente, nas suas preferências, nas suas pesquisas online, nas suas compras online. Quem “dá a cara” nos bancos terá de se preparar para esta nova realidade, para as novas ferramentas que vão acompanhar os avanços da tecnologia e para clientes cada vez mais informados e exigentes.

Olhando agora para o futuro, como vê a CEMG a preparar os próximos anos, fazendo face a estes novos desafios?

Vamos continuar a acompanhar o mercado e os desafios da sociedade, bem como os avanços da tecnologia e da inovação, como o temos vindo a fazer desde há quase 175 anos para cá. E este futuro faz-se e conquista-se precisamente com uma estratégia e um planeamento em linha com a modernidade, mas sempre com o cliente e a sociedade no centro.

A nova realidade bancária, onde cada cliente se pode relacionar com a sua vida financeira através de dispositivos móveis, por exemplo, leva a que a sua afinidade com o banco seja reduzida. Por isso mesmo, é preciso criar uma referência e uma razão emotiva para se manter a ligação.

O posicionamento que a CEMG tem vindo a assumir no setor da economia social contribui para que os nossos clientes (e o mercado) nos vejam como um banco diferente. Um banco que apoia as entidades da economia social e o seu trabalho junto dos grupos mais carenciados, que contribui para a inclusão social, que apoia o empreendedorismo social, será sempre um banco próximo, que assume um compromisso junto da sociedade.

Continuaremos a trabalhar no sentido de criar um banco que se relaciona com os seus clientes não apenas e exclusivamente do ponto de vista financeiro, mas que cria um motivo, um sentimento de pertença ligado a valores sociais e na criação de valor para a sociedade.

 

 

 

Texto: Entrevista a Fernando Amado – CEMG – Publicada em Impulso+ no Jornal Publico

Imagem: CEMG

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