António Brandão de Vasconcelos, da everis, e Maestro Pedro Carneiro, da OCP. em entrevista
ENTREVISTA a António Brandão de Vasconcelos, da everis, e ao Maestro Pedro Carneiro, da OCP
Everis faz parceria com a Orquestra de Câmara Portuguesa
A everis, no âmbito da sua política de responsabilidade social, estabeleceu uma parceria com a Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP). Além da alocação de uma verba para ajudar a OCP, a consultora desenvolveu, em regime de pro bono, um projecto estratégico para a implementação de um plano de negócio e de parceria que pretende garantir a sustentabilidade futura da Orquestra. António Brandão de Vasconcelos, CEO da everis, e o Maestro Pedro Carneiro, co-fundador e director artístico da OCP, explicaram à IP NEWS as principais linhas desta parceria.
IP NEWS - No que consiste o projecto estratégico de apoio à OCP?
António Brandão de Vasconcelos (ABV, everis) - O projecto centrou-se sobretudo no desenvolvimento de uma colaboração orientada ao posicionamento estratégico da OCP e teve como principal alcance, por um lado, apoiar a definição dos focos de desenvolvimento estratégico da OCP (ex: marca, patrocínios, estratégia online, redes sociais, fidelização de públicos) e, por outro lado, desenvolver novos modelos de negócio e de parceria que garantam a sustentabilidade futura (formas de relacionamento e de comunicação, garantia de empregabilidade de músicos altamente qualificados, estratégia de internacionalização, formação de jovens músicos e responsabilidade social).
No essencial, a everis conduziu um exercício de diagnóstico da situação actual, complementado com uma análise estratégica capaz de potenciar a definição de linhas estratégicas orientadas à obtenção de resultados. Neste processo foi produzido (i) um benchmarking com peers nacionais e internacionais, com o objectivo de identificar boas práticas e retratar modelos de negócio, estratégias de marca, modelos de parcerias, focos de actuação e estratégias de fidelização; (ii) foi revisitada a respectiva missão, visão, valores e linhas estratégicas; (iii) definiram-se os focos de desenvolvimento estratégico da OCP (ex: marca, patrocínios, estratégia online, redes sociais, fidelização de públicos); (iv) identificaram-se novos modelos de negócio adaptados à realidade da OCP e analisou-se a viabilidade e exequibilidade das várias opções; e finalmente (v) identificaram-se parceiros para a efectivação desses focos de desenvolvimento.
IP NEWS -Quais as suas principais directrizes?
ABV, everis- Deste exercício de posicionamento estratégico, foram identificadas 5 grandes linhas estratégicas que se enquadram nas 4 dimensões organizacionais consideradas - Organização, Marketing, Financiamento e Parcerias - e que guiarão a actuação da Orquestra nos próximos 3 anos de actividade: (i) Aumentar o nível de actividade musical; (ii) definir plano de fortalecimento da marca; (iii) Melhorar a estrutura de funcionamento organizacional; (iv) Reformular a estrutura financeira; (v) Definir um modelo de parcerias.
Para cada uma destas linhas estratégicas, foram identificados objectivos estratégicos e tácticos e definidas acções concretas para a sua concretização.
IP NEWS - Quais os timings de implementação?
ABV, everis- O diagnóstico estratégico elaborado para a OCP tem, à semelhança de um exercício desta índole, um horizonte temporal de curto e médio prazo, contemplando um caminho de evolução que, no nosso entender, permitirá potenciar de uma forma ainda mais sustentada o enorme valor intrínseco da OCP no espaço de 3 anos.
IP NEWS - Que mais-valia resulta para a EVERIS desta parceria?
ABV, everis - Para a everis esta parceria foi sobretudo um privilégio de fazer um projecto único de consultoria estratégica que representou para a equipa um desafio permanente de construir, em conjunto com a OCP, uma reflexão estratégica robusta, aprofundada e, fundamentalmente, útil para o futuro próximo da OCP. Foi desafiante utilizar metodologias sofisticadas de análise estratégica e de posicionamento competitivo, normalmente aplicadas em grandes organizações, na realidade específica do sector cultural, do sub-sector musical e tendo como fio condutor, sempre, a visão dos responsáveis da OCP.
IP NEWS - Além da consolidação económica de base prevista para a OCP, que outras vantagens resultam desta parceria para a orquestra?
Pedro Carneiro ( PC, OCP) - A consolidação económica é um objectivo que será o culminar de outro aspecto indissociável: a consolidação organizacional, que por sua vez resultará do alargamento da nossa actividade e fortalecimento da marca OCP. A everis ao querer continuar connosco depois do trabalho de diagnóstico, exercício de benchmarking e posicionamento estratégico, está a dar-nos uma grande confiança e confere-nos uma dupla dose de credibilidade, na abordagem de futuros clientes e parceiros.
A everis ao acreditar na OCP, e ao trazer-nos o apport que vai além do seu know-how de gestão, funciona também como agente catalisador da nossa mensagem e captação do interesse de terceiros para este projecto, exponenciando o impacto da nossa imagem.
Outra vantagem da parceria resulta do entusiasmo que conquistámos junto dos vários elementos da equipa de consultores e do seu CEO, e a interacção de que estamos a usufruir moldando também a nossa visão e acção no sentido de construirmos um modelo organizacional sustentado e duradouro.
IP NEWS - Qual o impacto da parceria para o funcionamento diário e para o alinhamento criativo da Orquestra?
PC, OCP - A Orquestra de Câmara Portuguesa é um projecto independente e ambicioso, que teve desde o seu início o objectivo de aproveitar o talento nacional para a formação de uma orquestra de excelência capaz de se tornar numa das melhores orquestras de câmara do mundo.
Para atingir este objectivo, após o diagnóstico e alinhamento estratégico desenvolvido no 1º semestre de 2011 com a everis, estamos a pôr em prática o road map que ficou definido.
Em conjunto, trabalhámos no sentido da fixação de um discurso que reflicta a nossa visão, missão e valores, para clarificar a mensagem que queremos fazer disseminar no sector empresarial privado, onde queremos conquistar novos clientes e parceiros de âmbito; no fortalecimento da marca, gestão financeira, jurídica e outras. Do mesmo modo, delineámos um conjunto de etapas a cumprir no próximo triénio, que se traduzem essencialmente no aumento da actividade musical assente numa relação comercial e não meramente de mecenato, fortalecimento da marca, proporcionando, no tempo, meios que permitam um modelo de funcionamento a tempo inteiro e mais robusto que o modelo actual por projecto.
Em simultâneo, decorre o trabalho habitual da organização, produção e agendamento dos concertos. Os processos e métodos de trabalho que enformam a gestão da orquestra não foram alterados na sua essência, mas agora aplicamo-los apoiados numa estratégia que nos dá a confiança e reforça os nossos argumentos de afirmação, num sector fechado que não estando em crescimento, está acomodado num paradigma cristalizado que não se coaduna com extraordinária geração de jovens intérpretes produzidos nos últimos 15 anos e que agora chegam a um mercado de trabalho reduzido praticamente apenas ao ensino. É um desbravar de um caminho novo, em que vamos viabilizar a actividade de uma orquestra de câmara de nível mundial, pois a massa crítica está à disposição e nós na OCP temos os atributos artísticos e motivacionais para afirmar o saber fazer destes intérpretes nacionais, verdadeiros embaixadores da identidade nacional.
Com a energia e intensidade das actuações que mais não são do que o brio e autenticidade que praticamos diariamente e depois se reflecte no palco queremos participar na afirmação de Portugal no sector do Turismo Cultural. É aqui que queremos casar a cultura com a economia. Construir unidades de produção artística, neste caso, de música erudita, inseridas numa política empresarial de turismo cultural de elevado nível, que projecte o nome de Portugal.
Everis: responsabilidade social aposta no pro bono
IP NEWS - Que outras iniciativas no âmbito da RSC têm alinhadas/previstas?
António Brandão de Vasconcelos, everis - A everis está consciente da sua responsabilidade social enquanto empresa e trabalha para contribuir com os conhecimentos que tem desenvolvido e acumulado ao longo da sua trajectória como empresa de consultoria, contribuindo de forma activa e voluntária para a economia, sociedade, cultura e ambiente.
Em termos de Responsabilidade Social, o principal objectivo da everis é a transferência dos seus conhecimentos, através da disponibilização de projectos de consultoria e a sua respectiva implementação em regime pro-bono, difundindo os conhecimentos que desenvolveu ao longo da sua experiência ajudando outras organizações a melhorar. No imediato, temos previstas colaborações com a Associação Nacional de Direito ao Crédito, Acredita Portugal e Cozinha com Alma.




