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Novas formas de ganhar dinheiro após os 50

O “tradicional” mercado de trabalho tem alguma dificuldade em absorver recursos com mais de 50 anos. Ainda bem que há todo um conjunto de novas profissões ávidas por acolher pessoas com experiência de trabalho.

Demasiado novos e demasiado experientes. A frase quase parece contraditória mas, na verdade, não é. Aos 50 anos, somos demasiado novos para a reforma. E demasiado experientes para entrar no mercado de trabalho. Pelo menos no, chamemos-lhe, “tradicional” mercado de trabalho. Sim, experientes. Porque velhos, todos sabemos, são os trapos. E, mesmo esses, com as novas profissões a aparecerem, podem muito bem deixar de o ser.

O mundo de trabalho já não é o que era e as reformas muito menos. Daí que, cada vez mais, as pessoas, sobretudo após os 50 anos, sejam confrontadas com a necessidade de obter mais rendimento. Ou melhor, de arranjar uma nova forma de obter rendimentos.

A oportunidade dos Airbnb

Uma das vantagens que a globalização trouxe foi a importação de modelos de negócio que, há uma década, simplesmente não existiam. E apesar de serem muitas vezes associados às gerações mais novas, a verdade é que são uma excelente oportunidade para quem tem já experiência de mercado. Tomemos como exemplo o Airbnb, empresa que lançou um novo mercado online de serviços de hospitalidade. Hoje, os espaços alugados neste modelo estão por todo o lado, alterando as dinâmicas das cidades e criando novas oportunidades, independentemente da idade do promotor. Primeiro, porque pode passar a alugar o quarto que tem a mais lá em casa e assim retirar alguns dividendos. Mas há ainda uma forma melhor de ganhar dinheiro com este conceito: gerir espaços Airbnb. Isto porque há quem invista neste modelo mas depois não tenha tempo para fazer a sua gestão. Que passa por fazer o acolhimento dos hóspedes, gerir manutenção e limpezas, garantir disponibilidade dos espaços. Ou seja, não parece mas é quase um emprego a tempo inteiro. Pelo menos, há que estar sempre atento à plataforma para responder às solicitações dos potenciais hóspedes o mais rápido quanto possível.

A boleia das “Uber” 

Ser motorista Uber ou Cabify, para dar apenas dois exemplos, pode igualmente ser um bom complemento monetário. Estas empresas de transporte urbano de passageiros através de uma aplicação exigem, entre outras condições, que os denominados “parceiros” tenham mais de 21 anos e carro próprio, de gama média ou alta, que transporte quatro passageiros para além do motorista. E quem já andou neste novo meio de transporte sabe bem quão confortável é ser acolhido por uma pessoa experiente e com alguma “bagagem”.

Cozinha em casa

Não é propriamente nada de novo. Sempre houve quem fosse buscar “àquela senhora” os rissóis caseiros ou a bola de carne. Mas agora está mais na moda, é mais apreciado e, sobretudo, há uma série de novas plataformas para poder divulgar estes produtos. Caso tenha jeito para a cozinha, porque não experimentar um negócio em pequena escala (tudo o que é caseiro, hoje, é alvo de interesse), sustentado numa página de Instagram ou Facebook? Ou, caso seja mais arrojado, porque não criar um blogue? Atenção, que não estamos a promover a economia paralela. Hoje, a Empresa na Hora permite criar micronegócios de forma quase instantânea.

Dar imagem aos bancos

Os bancos de imagem não vivem, apenas, de profissionais da fotografia. Não precisa ter curso ou experiência no mercado. Precisa ter, isso sim, interesse, gosto, criatividade e, óbvio, ajuda ter alguma técnica. São imensas as plataformas que aceitam fotografias que depois, ao serem vendidas, geram receitas para quem as tirou. Alguns exemplos são a Getty Images, ShutterStock, iStockPhoto e Flickr.

O novo mundo online

O número de plataformas noticiosas e pequenos projetos setoriais com presença online nos mais variados ramos de atividade é imenso. Porque não, dentro da sua área, enviar uma proposta de colaboração espontânea? Os valores praticados no mercado não são, pela nossa experiência, exorbitantes (variam imenso de projeto para projeto) mas podem servir de complemento a um rendimento. Escrever artigos sobre a sua área, sendo um sénior é, muitas vezes, privilegiado, sobretudo em áreas como a saúde, imobiliário, tecnologia ou artes.

Algumas dicas adicionais:

Aposte na formação

Se tem algum tempo livre não duvide em participar em ações de formação, quer na sua área, como uma forma de reciclagem, quer em outras áreas que lhe aportem novos conhecimentos. As associações empresariais têm, muitas vezes, ações gratuitas ou a baixo custo. Mas se quer algo mais arrojado, praticamente todas as universidades (Porto e Lisboa são um exemplo) têm programas de estudos universitários para maiores de 50. E há sempre a opção das universidades seniores promovidas em vários distritos do país.

O exemplo da Experienced Management

A Experienced Management é o exemplo vivo de todo este novo mundo. Basicamente é uma plataforma concebida em parceria com a empresa suíça Brainforce, que tem uma experiência de 40 anos em interim management e destina-se a profissionais mais velhos de todos os setores e formações que são depois “encaminhados” para empresas que têm necessidades específicas de gestão e liderança limitadas no tempo. O período médio de colocação pode variar entre três e 18 meses.

O “mais” de ter 50 anos

Refeições ao domicílio (feitas em casa do cliente), companhia de animais de estimação (passeios diários ou ficar com eles durante as férias do cliente), acompanhamento de crianças (em casa, deslocações para escola, ATL, ou rotinas diárias), acompanhamento de seniores (companhia, fazer atividades, dar uma volta ao bairro ou acompanhar em deslocações ao médico), aulas de música, jardinagem ou pequenos arranjos. Estes são alguns dos serviços que a 55+, uma associação sem fins lucrativos autónoma que usa recursos seniores, tem disponíveis à comunidade de algumas freguesias de Lisboa, como Alcântara, Estrela, Misericórdia, Campolide e Campo de Ourique. Este projeto é uma excelente “forma” de obter alguns rendimentos até porque o objetivo, numa próxima fase, é oferecer serviços para toda a cidade de Lisboa e, posteriormente, noutras grandes cidades do país.

 

Texto: Susana Marvão – Artigo publicado em Impulso+ Jornal Publico

Imagem: Unsplash

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