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O Sonho: Sonhar é preciso

O sonho alimenta a vida. Esta não pode ser uma verdade mais absoluta aquando do envelhecimento. E quando este se quer ativo e positivo, é ainda mais absolutamente necessário.

Porque o sonho dá um propósito, esboça um caminho e torna-se o motor do quotidiano. Sonhando vive-se a vida, e vive-se com qualidade. Da continuação da vida. Da continuação da qualidade de vida. Todos os ciclos de vida são diferentes, mas têm em comum que em todos eles envelhecemos. E envelheceremos muito mais rapidamente se em qualquer um deles abandonarmos os sonhos e submergirmo-nos nos quotidiano sem projetos e sem caminho. Envelhecemos muito mais e muito mais rapidamente se perdermos de vista o sonho e o caminho que poderemos fazer para chegar ao sonho. Em qualquer idade. Em qualquer tempo e em qualquer espaço. Sem sonho não temos caminho. E sem caminho não temos vida. Sobrevivemos. E sobreviver não é suficiente, porque, a meu ver, sobreviver não é viver. Logo, não é qualidade de vida. Para viver é necessário sentirmo-nos vivos. E, para tal, é absolutamente necessário ter um caminho que tenha princípio, meio e fim e que nos leve de um ponto A para um ponto B. E que, nesse caminho, encontremos dentro e fora de cada um de nós o sentido. Do caminho. Da vida. Da partida. Da chegada. E daquilo que precisamos de sentir para que a vida faça sentido.

Como poderemos fazer? Recriarmo-nos. Reinventarmo-nos. Em cada ciclo de vida. E na passagem de cada ciclo de vida. Sabermos que enquanto um projeto decorre o devemos usufruir, sentir, valorizar. E que quando um projeto acaba, depois de o usufruirmos, de o valorizarmos e de ponderarmos as questões que necessitam de ser ponderadas (fracassos, vitórias, derrotas, aprendizagens…), criarmos um novo projeto. E para construir um novo projeto, eu considero que deveremos construir novos planos, refletir sobre as expetativas, sondar os sonhos (novos, antigos, por cumprir, possíveis ou impossíveis), estabelecer metas e objetivos e… arregaçar a mangas e ir. O caminho faz-se caminhando, mas sem caminho não se caminha, assim como sem unhas não se toca viola. Numa era em que sabemos que não podemos parar, o envelhecimento também não se compatibiliza com a monotonia, com a apatia, com o vazio de objetivos, com o quotidiano sem sentido… Obrigar a que o envelhecimento se compatibilize com a ausência de objetivos e com um quotidiano sistematicamente monótono é o equivalente a preparar um terreno e fertilizá-lo para que aí cresçam viçosamente a depressão, a ansiedade, os ataques de pânico, a tristeza… e os frutos que daí são esperados são os conhecidos, mas não esperados porque indesejados. E se não os queremos como frutos, não deveremos plantar as suas sementes.

As sementes a plantar…? Projetos de vida. Aprendizagem contínua. Trabalho produtivo. Trabalho remunerado. Transmissibilidade. Continuidade. Esperança. Orgulho. Em concomitância com todos os restantes valores, humanos e humanistas, que foram desde sempre plantados e desde sempre alimentados e frutíferos. Não precisamos de os nomear. Quem os sabe, sabe-os de cor. Quem não os sabe, dificilmente os aprenderá. E depois de plantadas as sementes, de cuidada a sementeira e de alimentada com a dedicação, com o empenho, com o desejo, a receita é inevitavelmente eficaz, uma vez que os frutos também inevitavelmente aparecem. Novos sonhos, novos caminhos, novos desafios. Sempre com vida. Sempre a viver. E sempre a viver, envelhecendo, como sempre, com qualidade de vida… e felizes.

Texto: Nuno Colaço – Happinez – Texto publicado em Impulso+ Jornal Público

Imagem: Unsplash

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