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Radar, o projeto que aproxima todos

“A teoria sem a prática vira “verbalismo”, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade” Paulo Freire

 

A metodologia do Projeto Radar implica a partilha de diversas atividades e o compromisso assumido enquanto estratégia para a cidade de Lisboa, nomeadamente no que respeita às respostas que se venham a verificar necessárias entre os diversos parceiros, assim como o conjunto de ações e de procedimentos que se realizarão para alcançar os objetivos propostos e as várias etapas do processo.

Neste sentido, a adoção de um modelo de intervenção comunitária e de desenvolvimento local baseado na abordagem à metodologia de investigação-ação participativa, apresenta ser o que melhor privilegia o bem-estar, a valorização das competências, das capacidades e das potencialidades das pessoas, dos grupos e das comunidades, assumindo-os como protagonistas no seu próprio processo social de construção, com vista à promoção do processo contínuo de autonomia.

Um guia que aproxima todos

A implementação do Projeto Radar envolve um esforço concertado entre parceiros e comunidades, tendo, por isso, sido criada uma ferramenta técnico-educativa que ajude a compreender e a assimilar os passos que devem ser dados e os objetivos que se pretendem alcançar. Trata-se de um autêntico guia prático, que serve de referência a todas as entidades e pessoas que estão envolvidas na concretização deste importante projeto. Esta medida de operacionalização foi construída a partir da estreita articulação com os objetivos do Programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades, e como resposta integrada para promover a implementação de um modelo de funcionamento específico, articulado e de proximidade que permita assumir a responsabilidade social na cidade de Lisboa.

Pretende sensibilizar as Equipas de Rua (Entrevistadores), os Radares (Voluntários Individuais), o Comércio Local (Voluntários Coletivos), entre outros técnicos e coordenadores da rede de parceiros sobre como implementar a metodologia, explicitando o seu valor acrescentado. Para além disso, poderá ser aplicado no âmbito de processos participativos de animação sociocultural, ao favorecer a continuação do diagnóstico técnico participativo, a conceção partilhada de respostas, de soluções e de projetos de mudança, bem como a definição partilhada do plano de atuação e das atividades integradas do Projeto Radar. Seguindo as linhas orientadoras do guia prático, pretende-se criar uma linha de atuação comum para o futuro, permitindo o fortalecimento e/ou o desenvolvimento de competências de facilitação e de acompanhamento nas Equipas de Rua (entrevistadores), nos técnicos e nas organizações aderentes ao Projeto Radar para a implementação de recursos que visem o envolvimento direto e participado da Comunidade (Voluntários/as, Famílias, Vizinhos/as e Comércio Local) no processo de integração.

O guia prática tem sido distribuído pelos técnicos do Projeto Radar junto da população, mas pode igualmente ser consultado no sítio da Santa Casa, e além de descrever o projeto em si, explica a metodologia de trabalho, as etapas do processo técnico, os desafios e constrangimentos para o seu sucesso, o seu valor comunitário e as formas de atuação, contendo ainda materiais de apoio ao seu desenvolvimento. No fundo, este guia pretende facilitar de forma autónoma e participativa o cumprimento do plano de ação inerente à implementação do Projeto Radar. Como? Fornecendo informação e orientações gerais para a implementação do modelo de intervenção comunitária e de desenvolvimento local proposto.

Radar, um novo paradigma

O Projeto Radar enquadra-se dentro de um novo paradigma, que contempla a diversificação das metodologias de resposta, a estimulação da própria inovação institucional, bem como a participação cívica das populações desses territórios ao promover a apropriação e o sentimento de pertença à Comunidade e ao fomentar a criatividade na mobilização de recursos. Tendo em consideração os motivos referidos anteriormente, verifica-se a urgência de um alargamento da rede de identificação e de vigilância de pessoas de idade avançada em situação de solidão e de isolamento social, assim como a otimização dos recursos dos diversos parceiros. Deste modo, a criação de instrumentos de diagnóstico e de procedimentos de acompanhamento comuns permitirão promover intervenções mais competentes e em conciliação com as reais circunstâncias deste grupo populacional.

Com o Projeto Radar pretende-se o seguinte: otimização e a gestão de informação; promoção da articulação entre parceiros; acompanhamento continuado das pessoas, atendendo às especificidades de cada situação; resposta às privações, às expetativas e às potencialidades da população 65+ com a criação de soluções mais próximas e da Comunidade; consolidação a construção da estrutura organizativa do Centro Local de Informação e Coordenação (CLIC), constituída por Focal Points (representantes do Núcleo Executivo e dos Parceiros Chave, mais concretamente, da CML, do ISS, da ARS, da PSP, das JF e da Rede Social de Lisboa, que permitirão a consolidação e a sustentabilidade dos esforços desenvolvidos).

Importa sublinhar que o Projeto Radar se dirige a todas as pessoas interessadas (comunidade em geral), com especial enfoque na População 65+ que viva sozinha ou acompanhada por outra pessoa do mesmo escalão etário. Dentro deste universo na cidade de Lisboa, prevê-se o levantamento de 30.000 pessoas desconhecidas das várias entidades. Deste modo, o Projeto Radar exige o envolvimento das entidades que na cidade de Lisboa têm um papel fundamental nas respostas disponibilizadas à população 65+. Atendendo à génese do Programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades, que visa contrariar o paradigma da institucionalização, é importante desenvolver uma resposta integrada em estreita articulação com o Plano de Desenvolvimento Social.

O Projeto Radar vem formalizar e fortalecer o trabalho desenvolvido com este grupo populacional, através da criação de uma plataforma de apoio digital, designada por Plataforma Digital Projeto Radar, que possibilitará uma maior articulação entre parceiros, como também favorecerá o rápido acesso e a centralização/otimização da informação. De facto, esta Plataforma Digital facilitará a comunicação e a articulação com todos os sistemas de informação considerados relevantes, na medida em que a georreferenciação dos dados possibilitará identificar recursos de proximidade e permitirá editar, consultar, analisar, e exportar a informação, de acordo com os perfis de acesso de cada representante ou parceiro. Neste quadro de atuação, e numa 1.ª fase, a Plataforma Digital Projeto Radar deverá ser capaz de assumir os seguintes princípios: Levantamento; Avaliação e Encaminhamento; Acompanhamento; e Monitorização.

Texto: SCML – Publicado em Impulso+ | Jornal Publico

Imagem: SCML

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